Com um mês de atraso, descobri essa matéria sobre os stickers de Belo Horizonte que saiu no jornal Hoje em Dia do dia 17 de novembro:
Os stickers ganham as ruas
Mateus Parreiras
REPÓRTER
Os jovens chegam, aos poucos, ao Cine Belas Artes, ao lado da Praça da Liberdade, em Lourdes. Usam tênis simples, calças largas, bonés, cabelos compridos ou tranças "dreadlocks", estilo jamaicano. De dentro das suas mochilas, sacam cartazes com desenhos, pinturas, figuras, adesivos, formas e mensagens em spray. Enquanto conversam e bebem, um deles mistura num recipiente plástico água, amido de milho e soda cáustica. O "grude" é para uma atividade que ganha cada vez mais adeptos entre os jovens. Eles percorrem as ruas na calada da noite para pregar nos muros, paredes, postes e mobiliários urbanos os cartazes "stickers".
Peças de uma arte urbana com mensagens sociais, políticas, poéticas e irônicas, confeccionadas pelos próprios jovens, os stickers ocupam um espaço antes dominado pelos pichadores. Porém, segundo os adeptos, que preferem a denominação "coletivos urbanos", eles não formam gangues nem se desafiam a deixar sua marca em locais perigosos e ousados, como alto de edifícios e guarda-mãos de viadutos.
"A idéia do sticker é justamente fazer um diálogo da rua com a rua pela arte e pela mensagem. Nossa única regra é não colar o poster sobre o de outra pessoa", conta um deles, pseudônimo Culundria, 30 anos.
Na noite de segunda-feira, o HOJE EM DIA acompanhou alguns coletivos urbanos que atuam na capital mineira. A arte dos posters e adesivos, apesar de apreciada por muitos e cada vez mais popular entre jovens e adolescentes da cidade, é proibida, considerada pelo Código de Posturas da prefeitura como publicidade ilegal.
Pela interpretação da lei municipal 8.616, propaganda é qualquer forma de difusão de idéias. A instalação ou manutenção de engenho de divulgação de publicidade em desacordo é sujeita a notificação, sob pena de aplicação de multa.
Por isso, a ação dos jovens costuma ser furtiva. O grupo acompanhado pela reportagem vem de vários bairros da capital, de Contagem, Ibirité, Santa Luzia e outras cidades da Região Metropolitana. O destino é a área central da cidade, onde há maior movimento, o "coração" das cidades. "Nossos trabalhos são manifestações para colaborar com o caos urbano mesmo. Nós nos integramos a ele", define Estandelau, 25 anos.
A primeira intervenção da noite foi no muro de blocos de concreto de um estacionamento da Avenida Bias Fortes. O grupo é rápido. A cola é postada de frente para o muro. Eles retiraram os seus desenhos de cores fortes ou frases em preto e branco de dentro das mochilas e começam a molhar os rolinhos de pintar com o grude. Lambuzam os muros e os papéis e começam o trabalho de colagem. Em pouco tempo, fazem seqüências de desenhos, uns sobre os outros, numa composição imediata e espontânea. Quem cola primeiro vigia depois e vice-versa. Mas a preocupação com a fiscalização não é muito grande.
"Não conheço ninguém que rodou (foi pêgo) por causa de sticker. Uma vez, um guarda me parou e perguntou o que estava fazendo. Disse que estava arrancando o cartaz e ficou por isso mesmo", conta Desali, 25 anos.
Desali e Estandelau estavam entre os grafiteiros que tiveram partes consideradas obscenas dos seus desenhos censuradas pela comunidade do Bairro Cruzeiro, na Região Centro-Sul (nota do blog: a censura levantou um debate). Tarjas foram aplicadas sobre certas partes do corpo. "É uma hipocrisia ver essa censura sobre a arte de rua. Mas nós gostamos de ter provocado essa reação. Culundria Armada teve um sticker censurado depois de fotografado e exposto na capa de uma revista. "Fizeram a foto de uma modelo na frente de um ursinho que produzi com a mensagem: 'masturbe seu urso'. Apagaram a frase, mas se apropriaram do meu ursinho", protesta.
Nas ruas, o trabalho deles é pouco notado e mais tolerado do que as pichações tradicionais. Quando indagadas sobre um sticker todo colorido numa caixa de cabeamento da Rua Ceará, as amigas Eliete Primo e Pulsina Maria Silva, ambas de 56 anos, elogiam a intervenção.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
pichações da bienal são refeitas por coletivo
As pichações do andar vazio da Bienal de São Paulo agora estão sendo refeitas pelo coletivo de artistas "assume vivid astro focus". Elas serão transformadas em uma instalação em neon em exposição numa galeria paulista. Parece que os artistas descolados gostaram da crítica dos pichadores. "Nosso trabalho é um protesto contra apagar aquele símbolo, porque o que eles estão pedindo, de fato, é válido", disse Eli Sudbrack, membro do coletivo, em entrevista. Visitando o site do "assume vivid (...)", dá para ver que eles são mesmo bem mudernos... Resta saber o que os pichadores vão pensar sobre este apoio que estão recebendo.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
"masturbe seu urso" censurado na revista encontro
Ao ver a capa da última edição da revista Encontro (periódico quinzenal de coluna-social paga e futilidades em geral de Belo Horizonte), tive uma surpresa: quem diria, uma foto do sticker "Masturbe Seu Urso"! Ele tava pregado numa pilastra do viaduto de Santa Tereza junto com vários outros, como a bonequinha das Red Nails que aparece na imagem. Aí o fotógrafo da tal revista achou que a pilastra seria um ótimo cenário para alguns clicks de uma modelo. E os editores gostaram da foto, mas não muito dessa pouca-vergonha, dessa subversão, dessa falta de respeito com a moral e os bons costumes da tradicional família mineira de classe média. Então, qual foi a solução extraordinária que estes gênios da imprensa encontraram para aproveitar a foto mas não agredir seus pobres leitores? Photoshop no ursinho!
Para comparação, tá aí um recorte da capa da célebre revista ao lado de uma foto do sticker original (que na verdade é um lambe).
Para comparação, tá aí um recorte da capa da célebre revista ao lado de uma foto do sticker original (que na verdade é um lambe).
Assinar:
Postagens (Atom)