sábado, 1 de dezembro de 2007

a corja ataca!

As noites de terça-feira de dezembro serão presenteadas com o samba, o choro e a gafieira do novo grupo Corjataca, que, pela primeira vez, sobe ao palco e promete apresentar ao público um repertório dançante inédito. Na partitura do Corjataca estarão várias composições próprias, além de releituras de grandes mestres do samba, como Noel Rosa, Geraldo Pereira, Wilson Batista, João Nogueira, Paulinho da Viola e Zé Ketti.

O Corjataca surgiu da idéia dos músicos Du Macedo e Juliana Perdigão em juntar grandes instrumentistas de outros grupos de BH para formar um grupo de samba com músicas dançantes e de qualidade, porém ainda pouco conhecidas pelo público da cidade. Surgiu aí o nome Corjataca, um anagrama de Corta Jaca, o grupo de choro do qual Du e Juliana também fazem parte e que é super reconhecido.

O resultado foi uma formação inédita, que promete agitar a platéia: Marcelo Roxo (voz e pandeiro), Agostinho Palucci (violão), Analú (percussão), Edson Fernando (percussão), Gustavo Monteiro (violão), Léo Brasilino (trombone), Sérgio Danilo (saxofone e flauta), Du Macedo (cavaco) e, para completar, Juliana Perdigão, que, além do clarinete, também estará à frente do Corjataca com sua bela voz.

Os shows acontecem nas terças de dezembro, dias 4, 11 e 18, a partir das 21h. O Recanto da Seresta, em Santa Tereza, foi o local escolhido para o lançamento do grupo. E o preço do ingresso, R$ 8, tá até barato, comparado ao de outros eventos por aí.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

uma pequena amostra do MUMIA


"Genre", de Don Hertzfeldt.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

MUMIA!

Pra quem não sabe, tá rolando em BH a 5ª edição do MUMIA, a Mostra Udigrudi Mundial de Animação, que começou com a exibição dos vídeos por algumas escolas da rede municipal, desde o dia 6. Mas a programação oficial, aberta ao público, começa mesmo no dia 10, sábado, às 20h, no Museu Histórico Abílio Barreto, com o longa Wood & Stock (Sexo, Orégano e Rock'n'Roll). Essa é a versão animada dos dois amigos ripongas na terceira idade, imortalizados no nanquim do cartunista Angeli.

Depois, vem a programação competitiva, com animações nacionais e internacionais, em exibição no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, do dia 12 até o dia 16, em três sessões gratuitas: 17h, 19h e 21h. São mais de 100 trabalhos de todos os tipos, formatos, cores e durações. Vários estados do país e vários países do mundo estão sendo representados no MUMIA. Ou seja, diversão garantida.

BOTA UDIGRUDI NISSO

O MUMIA é um espaço de exibição altamente democrático. Para se ter uma idéia, praticamente não existe critério para a seleção dos vídeos. Qualquer pessoa de qualquer país ou planeta (vide regulamento) pode inscrever quantos trabalhos quiser. O formato, a temática, a técnica e também a qualidade serão aqueles que o diretor preferir. Os organizadores só pedem para que os vídeos sejam realmentes vídeos de animação e que tenham sido finalizados a partir de 2000. Os melhores trabalhos, criativos e inovadores, serão premiados. Essa é mais uma iniciativa cultural totalmente independente, sem patrocínio nenhum, mas com o apoio de muita gente, cada um ajudando como pode.

No site do MUMIA você encontra a programação completa e também ficha de inscrição de vídeos e regulamento para as próximas edições. Até eu já tô pensando em produzir algumas coisinhas...

sábado, 27 de outubro de 2007

Titane em São João del Rei


Depois de uma longa data sem nenhuma postagem, volto para falar sobre uma experiência muito interessante pela qual passei nessa semana. Acompanhei de perto, fazendo assessoria de comunicação, a viagem do grupo Rosa dos Ventos e de toda a produção do espetáculo "Titane e o Campo das Vertentes" a São João del Rei. A montagem já esteve em cartaz em BH, no Palácio das Artes, e agora faz turnê pelo interior.

Trabalhar com arte é muito bom. As pessoas são animadas, simpáticas, o clima é muito descontraido e ao mesmo tempo muito profissional. Todo mundo trabalhando de maneira coletiva, cada um fazendo sua parte e completando o trabalho do próximo. E o melhor de tudo: em prol de um bem comum e super valioso, que é a arte. O espetáculo que foi ao palco representa bem tudo isso. É um trabalho de jovens artistas em conjunto com outros artistas já experientes, todos dando o melhor de si e merecendo os aplausos que receberam no final da apresentação.

"Titane e o Campo das Vertentes" estará em Divinópolis nos dias 3 e 4 de novembro (sábado e domingo). Será apresentado no Teatro Municipal da cidade e a entrada é gratuita. Informações pelos números (37) 3216.1951 e (31) 8778.0545.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Vamos lotar a Kaza Vazia!

Hoje, sábado, dia 29, um dos projetos mais ousados e criativos da cidade abre suas portas para o público: falo do Kaza Vazia, a (anti) galeria de arte itinerante. Trata-se do projeto de um coletivo formado por 24 jovens artistas que, para fugir do lugar comum das galerias de arte fechadas para quem não faz parte do "meio", resolveram montar o seu próprio espaço de exposição. Diga-se de passagem, a maneira como eles pensaram em fazer isso deixa as galerias no chinelo: ocupam casas abandonadas pela cidade, transformando espaços mortos em espaços vivos, espaços privados em públicos, transpirando cultura. Uma lógica atual e muito pertinente.

Há treze dias que os caras já estão literalmente residindo na nova Kaza: um casarão do começo do século passado que fica no bairro Floresta. Lá dentro tem de tudo: instalações, pinturas, stencil, vídeo etc. Um punhado de fragmentos que constroem a Kaza Vazia.

Essa já é a quinta edição do projeto em apenas dois anos! Um número muito admirável, se levarmos em consideração que se trata de uma iniciativa de pessoas comuns sem o conforto de nenhum tipo de patrocínio. O combustível do Kaza Vazia é o amor pela arte, e só.

As fotos aí em cima e em baixo são apenas uma amostra do registro fotográfico que fiz na sexta à noite, dia 28, em véspera de exposição, quando estavam sendo feitos os últimos preparativos. Se quiser ver mais, acesse meu flickr. Aos poucos estou subindo todas as fotos.

Melhor que visualizar minhas fotografias, visite a Kaza Vazia para ter sua própria impressão: Rua Dona Leonídia Leite, 68, bairro Floresta (perto da confeitaria Momo). Dias 29 e 30 de setembro, a partir das 13h. No domingo, 30, vai rolar a Meza Vazia, um espaço de debate, às 16h. A entrada é gratuita. Para saber mais sobre o projeto, acesse o blog dos caras ou o blog dessa edição.


quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Grupo Ramo no Música Independente


Na última segunda, dia 10 de setembro, o grupo Ramo se apresentou no Teatro João Ceschiatti do Palácio das Artes, pelo projeto Música Independente. Me perdoem, mas dessa vez eu não consigo traduzir em palavras como foi o show. Dizer que o sexteto levou ao palco um repertório instrumental, com influência clássica ou popular, inspirada na obra desse ou daquele compositor, soaria óbvio demais (assim como já está soando). É certo que os jovens instrumentistas sabem o que estão fazendo e sua música é muito sofisticada. Prefiro deixar para a fotografia a missão de pixelar aqui um pouco da apresentação.

O Música Independente é um projeto conjunto da Fundação Clóvis Salgado, da Rede Minas, Rádio Inconfidência e da Sociedade Independente de Música (SIM). A idéia é levar ao palco o trabalho inédito de músicos mineiros que não estão no mainstream. As apresentações são transmitidas pela Rede Minas (todo sábado, às 16h) e pela Rádio Inconfidência (também aos sábados, às 10h). Fica aí a dica para quem quer escutar boa música: segundas e terças, às 19h30, no Teatro João Ceschiatti. E o preço é modesto: R$ 5 a inteira e R$ 2,50 a meiaentrada.

(na fotografia, pixelada até demais, da direita para a esquerda: Antônio Loureiro, Pablo Souza, André Rocha, Daniel Pantoja, Felipe José e Rafael Martini. Clique na imagem para ampliar.)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

O Stereosamba de Aline


Aline Calixto, filha de Oxossi, foi a atração da última quarta, 23 de agosto, no projeto Stereoteca. A carioca naturalizada mineira subiu ao palco e nos deu o privilégio de escutar a sua bela voz (forte, mas delicada) cantando belos sambas. A moça tem uma presença de palco incrível e seduziu com facilidade toda a platéia. Acompanhada por Humberto Junqueira (violão de sete cordas), Rudney Carvalho (cavaco), Ricardo Acácio (pandeiro) e Rogério Sam (percussão), ela passou por clássicos de Paulinho da Viola e Clara Nunes, mas também apresentou canções inéditas de novos compositores mineiros, como Rodrigo Santiago e Sandro Borges.

Aline os descobriu durante seu trabalho de pesquisa sobre a cena do samba no interior de Minas – muito rica e tradicional, porém muito mal conhecida. Alguma coisa me diz que essa pesquisa ainda renderá frutos preciosos. E desde já há de se agradecer Aline Calixto por sua iniciativa.

E o palco ainda teve espaço para convidados de honra, como Patrícia Ahmaral. A cantora já é conhecida pelo público mineiro, mas ninguém ainda havia a visto se arriscando na cadência do samba. Para a nossa surpresa, as duas cantaram até sambas compostos por Patrícia. Outro convidado foi Delito, cantor e compositor pernambucano radicado em Brasília. Com músicas carregadas de bom humor, mas paradoxalmente tristes, ele arrancou risadas e aplausos da platéia. No fundo, Delito nos mostrou à sua maneira que a ironia é uma forma nobre de se lidar com a dor. Foi uma das grandes surpresas da noite.

Como não podia ser diferente, em determinado momento do show alguns se levantaram e começaram a acompanhar o samba dançando. Provavelmente muitos outros tiveram a mesma vontade, envolvidos pela alegria da apresentação. Mas não só o samba foi responsável por isso: o cenário inspirado no candomblé e o figurino, criado pela própria mãe da Aline, também ajudaram muito a criar um clima bem confortável. Enfim, o show foi digno de uma grande voz cantando grandes sambas.

(Se você quer saber mais sobre a Aline Calixto, entre no seu balaio-blog, o Sambalaio.)

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

a primeira vez que ouvi...

Antes de conhecer Fresh Fruits For Rotten Vegetables eu acreditava na idéia de que não existe nenhum disco em que você goste de todas as músicas. Mito que caiu por terra. Esse é um disco que vai além da música e passa por um caminho muito delicado que é o de misturar política no meio. Quer dizer, delicado para outros, não para os Dead Kennedys. Das coisas todas que sobraram do meu mundo adolescente, com certeza se inclui o sarcasmo anárquico do DK. O som macabro da banda e a ironia extremamente inteligentes das letras do Jello Biafra fizeram muito sentido para mim. (Holiday in Cambodja / Viva Las Vegas / Kill The Poor / Let’s Lynch the Landlord etc.)


Da Lama ao Caos - Guitarra elétrica com tambor, Zumbi com Lampião. Na verdade eu aprendi a gostar do som do Nação Zumbi indo aos seus shows e sentido a energia que eles conseguem passar através da música. A sensação é de ser parte de uma única massa humana, como se você e todas as pessoas ao seu redor fossem uma coisa só, apenas uma multidão no meio de muitos. E é isso mesmo que somos na maior parte do tempo, sem perceber: somos muitos no meio de uma coisa só. (Monólogo ao Pé do Ouvido / A Praieira / A Cidade / Côco Dub etc.)



The Velvet Underground and Nico - Isso aí é música para escutar e arrepiar os cabelinhos do braço. Eu não sei qual é a experiência de outras pessoas com esse disco, mas eu aprendi a escutá-lo sozinho, em casa, me acompanhando pela madrugada (ou no máximo durante um domingo de manhã). Acho que essa é a situação mais adequada. É um disco especial, difícil e profundo. Eu prefiro guardá-lo para momentos únicos, preenchendo vazios. (Sunday Morning / I’m Waiting for the Man / All Tomorrow Parties / The Black Angels Death Song etc.)



Eis o Ôme - Quando conheci esse camarada ainda nem entendia direito qual era sua onda. Eu achava meio engraçadinho aquele samba diferente, mas ia só até aí. Algum tempo depois eu fui escutar de novo e me chamaram muita atenção as músicas que ele fez para a umbanda. Eu que nem sabia a diferença entre umbanda e macumba, achei aquilo tudo muito maluco. Noriel Vilela tinha uma voz muito forte e sua música, com forte influência africana, carregada de devoção, é única. Aos poucos fui aprendendo a achar muita graça daquilo e tudo e, principalmente, a respeitá-lo. (Saravando Xangô / Saudosa Bahia / Cacundê, Cacundá / Je Suis la Marie etc.)

(esse post é uma cópia descarada da idéia da minha amiga Cris Brandão, que escreveu em seu blog como foi a primeira experiência com os seus discos favoritos.)

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

PROA no teatro!


Ontem, dia 01/08, foi a vez da banda PROA (sigla de Punk, Rock, Oldies e Afins) se apresentar no Stereoteca. Daniel Saavedra (guitarra), Danilo Miranda (guitarra), Rodrigo Araújo (baixo), Helbeth Trotta (bateria) e seus dois convidados mandaram bem, mesmo num ambiente completamente diferente daquele que estão acostumados: ao invés de um público de bêbados e histéricos - dançando e pulando - eles tiveram uma platéia bem comportadinha, sentada ordenadamente em suas poltronas de teatro...

Para começo de conversa, foi uma surpresa ver um show de rock instrumental encher um teatro, com direito a fila e tudo mais! Não que isso seja uma novidade em BH, já que essa é a capital mundial da Surf Music. Mas também não vamos tirar o mérito dos caras do PROA, eles têm a sua dose de responsabilidade nisso e eu, que nunca tinha visto um show deles antes, pude conferir o porquê.

Músicas rápidas, divertidas, animadas, criativas. Temas de desenhos animados, filmes e até cover de Roberto Carlos. Sou suspeito para falar, porque sempre me agradou esse tipo de som: uma pitada de hardcore, uma idéia punk e acordes surf. Mas eles foram bem além disso. A começar pelos dois convidados que subiram ao palco e que infelizmente não sei o nome para citar aqui. O primeiro tocando trombone. Não havia como errar. Rock rápido e cru combina perfeitamente com instrumentos de sopro. O resultado foi alguma coisa ska da melhor qualidade. Mas não parou por aí: logo depois subiu outro camarada (Gabriel Guedes?) com, pasmem vocês, um bandolim na mão! Uma cena, no mínimo, curiosa. E deu muito certo também! O cara espinicava as cordas daquele instrumento e acompanhava o som da banda incrivelmente. O diálogo entre guitarra elétrica e bandolim deu muito certo. Claro que teve corda arrebentada no final.

Mas o auge do show, na minha opinião, ainda estava por vir. Quando os dois convidados sairam, o PROA tocou algumas de suas músicas próprias, agora mesclando com os eletronismos. Aí sim, eu vi que eles já são uma banda bem madura, mesmo com apenas dois anos de estrada. As composições eram realmente bem construídas. E para finalizar o show em grande estilo, uma música especial, bem oriental, com direito ao camarada do bandolim tocando uma cítara indiana. Haja criatividade!

Esse foi o lado bom do show. O lado ruim, que mais me incomodou, nem veio do palco, mas sim do fato de estarmos ali, num teatro convencional, sentadinhos em cadeiras acolchoadas, escutando um show de rock!!! Onde estava a cerveja??? Ah!! Isso foi realmente bizarro e os caras da banda também sentiram a estranheza da situação, como já disse no início. Mesmo assim eles mandaram muito bem.

O som do PROA tem exatamente aquilo que eu acho que é fundamental para a música, aquele elemento que transforma tudo: irreverência, ironia, bom humor! Já escutei algumas pessoas questionando porque a música mineira não emplaca. Uma das causas, na minha opinião, é uma certa falta de transgressão, sabia? Acho que a música daqui ainda é bem caretinha. Mas o PROA é bem transgressor e essa sua qualidade está na sua música irreverente.

E perdoemos aqueles que disseram que surf music é monótona: eles não sabem o que dizem!

(crédito da fotografia: Fernando Libânio)

terça-feira, 24 de julho de 2007

Horizontando do Morro

Belo Horizonte, manhã ensolarada de sábado, 21 de julho de 2007, e um ponto de vista diferente daquele que a maioria está acostumada: a vista do Aglomerado da Serra, uma das mais privilegiadas da cidade. A cidade que já foi sinônimo de jardim e homônimo de vista bonita: hoje está saturada de concreto, sufocada com tanto prédio e especulação imobiliária, pedindo socorro para respirar só um pouquinho de céu azul. Mas a foto tá aí para nos levar lá longe, onde montanha se confunde com céu. Vem para ampliar nossos pensamentos e nossos sonhos.



(um abraço para os amigos do Criarte, da Serra, que me acompanharam num rolé fotográfico muito agradável pelo país do Morro naquele sábado de manhã)

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Os Catopês Mágicos

Com a cabeça a mil com a oficina de Intervenção Urbana que eu e o João estamos preparando para o NUC, não pude comparecer (uma pena...) ao show de Déa Trancoso no projeto Stereoteca, que acontece toda quarta, a partir das 20h, na Biblioteca Municipal de Belo Horizonte. Cheguei lá às 22h, com a apresentação prestes a acabar. Despretenciosamente, sentei-me em um dos bancos no hall de entrada da biblioteca para esperar o público sair do auditório e então encontrar com meus companheiros do coletivo PDM.

Mas para a minha surpresa completa, quando as portas se abriram, começaram a sair lá de dentro uma ala completa de homens, mulheres, idosos e crianças, todos negros e vestidos com roupas brancas, levantando suas bandeiras de santo, batendo nos seus tambores num "tum tum tum" ritmado um tanto mágico. Aquela cena me tocou muito (mais tarde fui saber que tratava-se do grupo de congado Terno de Catopês de Bocaiúva, do Vale do Jequitinhonha). Levantei e comecei a bater palmas no ritmo que os tambores ditavam. Atrás deles vinha o público que assistira o show de Déa: todo mundo com cara de satisfação típica de quem acabou de assistir a um grande espetáculo (façam esse exercício: observem o público de um filme ou de um show ao sair da sala do cinema ou do teatro). A festividade migrou para o lado de fora da biblioteca, onde o grupo parecia fazer questão de tocar.

Não sei se o ar livre tem algum significado especial para eles, mas foi engraçado porque ali ao lado da Biblioteca fica a sede do Comando da Polícia Militar, e dali eu pude ver os militares indo às janelas de seu prédio observar o que se passava na rua. Foi muito divertido ver a cara de espanto dos fardados. Aos poucos a festa foi se desfazendo e eu fui encontrando o coletivo PDM. Depois, lendo a divulgação do show, vi que o objetivo da Déa ao convidar os Catopês era revelar uma Minas Gerais com alma de Guimarães Rosa, com seus "ritmos de acalanto, folias, cantos de reza, cozinha, congado, terreiro e rua". E o grupo parace ser uma demonstração da cultura secular que permanece viva nas entranhas de Minas. E merece (muito!) ser mais valorizado.

PUXÃO DE ORELHA

É impressionante, por exemplo, como a grande maioria das pessoas que conheço que se julgam pessoas cultas, e que realmente são (os meus amigos de blog, por exemplo! não irei poupá-los), conhecem MUITO sobre a cultura gringa e não conhecem QUASE NADA sobre a cultura do próprio lugar onde nasceram. E gastam linhas e linhas de seus blogs para falar da cultura que vem de fora (que não necessariamente é pior, claro que não!). E nada de falar do show da banda da própria cidade. Ao mesmo tempo, imaginei se, além da minha própria surpresa naquele momento em que vi os Catopês, eu estivesse acompanhado da surpresa de algum dos vários gringos que já recepcionei por aqui. Tenho certeza que eles iriam ficar de queixo caído com a beleza da nossa cultura.

terça-feira, 10 de julho de 2007

LastFM

Adicionei ao "Pixelando" o elemento "As últimas músicas que escutei". É essa pequena janela azul à direita, do LastFM. Para quem não conhece o LastFM é um site bem legal para quem escuta música no próprio computador (mp3, por exemplo). Através de um pequeno software, ele registra as faixas e publica o que você tem escutado em uma página pessoal sua. Daí, todo mundo fica sabendo o que você anda ouvindo. Ele ainda oferece agenda de shows e biblioteca de bandas e artistas (ambas editadas pelos usuários!), rádios de músicas divididas por estilo ou por preferências. Pode servir como uma ótima ferramenta de divulgação para músicos. Detalhe: os brasileiros ainda são minoria no LastFM. Para saber mais, dêem uma olhada no meu perfil do LastFM, clicando em cima da minha foto na janela azul. E sintam-se a vontade para criticar meu gosto musical!

"Toda Nudez" será criticada

Depois de uma intoxicação alimentar que me levou à lona, volto neste post para falar um pouco sobre a peça "Toda Nudez Será Castigada", da paranaense naturalizada carioca Armazém Cia. de Teatro, com texto de Nelson Rodrigues, que esteve em cartaz nesse último fim de semana (dias 7 e 8) em BH. Em breve, falarei um pouco também sobre o documentário Estamira, de Marcos Prado. O que a peça e o filme têm em comum é o tapa na cara dos valores morais da sociedade.

"Toda Nudez Será Castigada" conta a história do amor pouco convencional entre Herculano - um recém-viúvo que durante toda a vida reprimiu a própria sexualidade - e Geni, uma prostituta que só consegue amar aqueles por quem sente pena. Os dois se conhecem quando Herculano, num porre para afogar a dor da morte de sua mulher, vai até o puteiro e por lá passa três dias e três noites. Até aí não haveria nada de mal no amor entre os dois persongens, se não fosse o conflito extremo entre o mundo da prostituta e a caretice doentia da família de Herculano.

O diretor Paulo Morais acertou na escolha do cenário fixo, com portas enormes que se abrem ou giram e servem como um elemento orientador na narrativa do espetáculo. Na apresentação em BH, porém, o cara comeu mosca e perdeu alguns pontos ao deixar o volume da sonoplastia e da trilha sonora extremamente alto. O elenco tem alguns destaques, como Patrícia Selonk (Geni), Thales Coutinho (Herculano) e Simone Mazzer (tia gordinha?), que conseguem expressar bem o tom trágico da peça e ainda serem cômicos quando o roteiro exige. Mas há também destaques negativos, como Sérgio Medeiros (Serginho), que não vai muito além do texto decorado e ainda assim ocupa um papel importante.

O roteiro, sem dúvida, é muito bom. Para a época em que foi escrito, o ano de 1965, deve ter sido muito chocante, ridicularizando o tempo todo a tradição, a moral, os bons costumes, o puritanismo. Hoje em dia esses elementos já perderam naturalmente a sua força e as pessoas, ou pelo menos uma boa parte delas, consegue conviver harmoniosamnete com a putaria e a serenidade (isso para não dizer que o mundo atual é uma putaria completa, um perfeito universo rodriguiano). Mas o texto de Nelson Rodrigues, é claro, sempre tem sua importância, pois questiona até que ponto o código de valores morais é saudável e depois de que ponto se torna algo doentio. E não sejamos hipócritas: ainda somos bem moralistas.

sábado, 7 de julho de 2007

O Início

Depois de algumas faltas de iniciativa, finalmente crio o meu blog. Nunca faltou vontade, necessidade, conselhos e sugestões, na verdade. Mas a inércia que ronda a minha vida até então me bloqueou os dedos e me impediu de criá-lo antes. Assim como A Bolha (aquele clássico do cinema de terror trash que marcou minha memória infantil), a inércia vem toda nojenta, rastejando melequenta, devagarzinho, subindo as escadas, invadindo sala, corredor, quarto e me pega desprevenido, debaixo do cobertor, no décimo sono das 13h. E foi assim, grudando meus dedos e meus neurônios uns aos outros.

Deixando a mea-culpa de lado, só eu mesmo consigo fugir dela, correndo com as minhas próprias pernas e escrevendo com meus próprios dedos. Devo agradecer, é claro, ao ponta-pé inicial: a oficina de blogs de Makely Ka, o primeiro projeto prático do Coletivo PDM (Projeto de Dominação do Mundo). O objetivo do coletivo é articular e fomentar ações conjuntas da cena da música independente de Minas. Quem quiser saber mais, acessa os blogs dos meus colegas de coletivo na lista de links "Coletivo PDM".

Vou terminando aqui meu início, porque na faculdade de jornalismo aprendi que textos para web devem ser curtos (blahhh!).