terça-feira, 24 de julho de 2007

Horizontando do Morro

Belo Horizonte, manhã ensolarada de sábado, 21 de julho de 2007, e um ponto de vista diferente daquele que a maioria está acostumada: a vista do Aglomerado da Serra, uma das mais privilegiadas da cidade. A cidade que já foi sinônimo de jardim e homônimo de vista bonita: hoje está saturada de concreto, sufocada com tanto prédio e especulação imobiliária, pedindo socorro para respirar só um pouquinho de céu azul. Mas a foto tá aí para nos levar lá longe, onde montanha se confunde com céu. Vem para ampliar nossos pensamentos e nossos sonhos.



(um abraço para os amigos do Criarte, da Serra, que me acompanharam num rolé fotográfico muito agradável pelo país do Morro naquele sábado de manhã)

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Os Catopês Mágicos

Com a cabeça a mil com a oficina de Intervenção Urbana que eu e o João estamos preparando para o NUC, não pude comparecer (uma pena...) ao show de Déa Trancoso no projeto Stereoteca, que acontece toda quarta, a partir das 20h, na Biblioteca Municipal de Belo Horizonte. Cheguei lá às 22h, com a apresentação prestes a acabar. Despretenciosamente, sentei-me em um dos bancos no hall de entrada da biblioteca para esperar o público sair do auditório e então encontrar com meus companheiros do coletivo PDM.

Mas para a minha surpresa completa, quando as portas se abriram, começaram a sair lá de dentro uma ala completa de homens, mulheres, idosos e crianças, todos negros e vestidos com roupas brancas, levantando suas bandeiras de santo, batendo nos seus tambores num "tum tum tum" ritmado um tanto mágico. Aquela cena me tocou muito (mais tarde fui saber que tratava-se do grupo de congado Terno de Catopês de Bocaiúva, do Vale do Jequitinhonha). Levantei e comecei a bater palmas no ritmo que os tambores ditavam. Atrás deles vinha o público que assistira o show de Déa: todo mundo com cara de satisfação típica de quem acabou de assistir a um grande espetáculo (façam esse exercício: observem o público de um filme ou de um show ao sair da sala do cinema ou do teatro). A festividade migrou para o lado de fora da biblioteca, onde o grupo parecia fazer questão de tocar.

Não sei se o ar livre tem algum significado especial para eles, mas foi engraçado porque ali ao lado da Biblioteca fica a sede do Comando da Polícia Militar, e dali eu pude ver os militares indo às janelas de seu prédio observar o que se passava na rua. Foi muito divertido ver a cara de espanto dos fardados. Aos poucos a festa foi se desfazendo e eu fui encontrando o coletivo PDM. Depois, lendo a divulgação do show, vi que o objetivo da Déa ao convidar os Catopês era revelar uma Minas Gerais com alma de Guimarães Rosa, com seus "ritmos de acalanto, folias, cantos de reza, cozinha, congado, terreiro e rua". E o grupo parace ser uma demonstração da cultura secular que permanece viva nas entranhas de Minas. E merece (muito!) ser mais valorizado.

PUXÃO DE ORELHA

É impressionante, por exemplo, como a grande maioria das pessoas que conheço que se julgam pessoas cultas, e que realmente são (os meus amigos de blog, por exemplo! não irei poupá-los), conhecem MUITO sobre a cultura gringa e não conhecem QUASE NADA sobre a cultura do próprio lugar onde nasceram. E gastam linhas e linhas de seus blogs para falar da cultura que vem de fora (que não necessariamente é pior, claro que não!). E nada de falar do show da banda da própria cidade. Ao mesmo tempo, imaginei se, além da minha própria surpresa naquele momento em que vi os Catopês, eu estivesse acompanhado da surpresa de algum dos vários gringos que já recepcionei por aqui. Tenho certeza que eles iriam ficar de queixo caído com a beleza da nossa cultura.

terça-feira, 10 de julho de 2007

LastFM

Adicionei ao "Pixelando" o elemento "As últimas músicas que escutei". É essa pequena janela azul à direita, do LastFM. Para quem não conhece o LastFM é um site bem legal para quem escuta música no próprio computador (mp3, por exemplo). Através de um pequeno software, ele registra as faixas e publica o que você tem escutado em uma página pessoal sua. Daí, todo mundo fica sabendo o que você anda ouvindo. Ele ainda oferece agenda de shows e biblioteca de bandas e artistas (ambas editadas pelos usuários!), rádios de músicas divididas por estilo ou por preferências. Pode servir como uma ótima ferramenta de divulgação para músicos. Detalhe: os brasileiros ainda são minoria no LastFM. Para saber mais, dêem uma olhada no meu perfil do LastFM, clicando em cima da minha foto na janela azul. E sintam-se a vontade para criticar meu gosto musical!

"Toda Nudez" será criticada

Depois de uma intoxicação alimentar que me levou à lona, volto neste post para falar um pouco sobre a peça "Toda Nudez Será Castigada", da paranaense naturalizada carioca Armazém Cia. de Teatro, com texto de Nelson Rodrigues, que esteve em cartaz nesse último fim de semana (dias 7 e 8) em BH. Em breve, falarei um pouco também sobre o documentário Estamira, de Marcos Prado. O que a peça e o filme têm em comum é o tapa na cara dos valores morais da sociedade.

"Toda Nudez Será Castigada" conta a história do amor pouco convencional entre Herculano - um recém-viúvo que durante toda a vida reprimiu a própria sexualidade - e Geni, uma prostituta que só consegue amar aqueles por quem sente pena. Os dois se conhecem quando Herculano, num porre para afogar a dor da morte de sua mulher, vai até o puteiro e por lá passa três dias e três noites. Até aí não haveria nada de mal no amor entre os dois persongens, se não fosse o conflito extremo entre o mundo da prostituta e a caretice doentia da família de Herculano.

O diretor Paulo Morais acertou na escolha do cenário fixo, com portas enormes que se abrem ou giram e servem como um elemento orientador na narrativa do espetáculo. Na apresentação em BH, porém, o cara comeu mosca e perdeu alguns pontos ao deixar o volume da sonoplastia e da trilha sonora extremamente alto. O elenco tem alguns destaques, como Patrícia Selonk (Geni), Thales Coutinho (Herculano) e Simone Mazzer (tia gordinha?), que conseguem expressar bem o tom trágico da peça e ainda serem cômicos quando o roteiro exige. Mas há também destaques negativos, como Sérgio Medeiros (Serginho), que não vai muito além do texto decorado e ainda assim ocupa um papel importante.

O roteiro, sem dúvida, é muito bom. Para a época em que foi escrito, o ano de 1965, deve ter sido muito chocante, ridicularizando o tempo todo a tradição, a moral, os bons costumes, o puritanismo. Hoje em dia esses elementos já perderam naturalmente a sua força e as pessoas, ou pelo menos uma boa parte delas, consegue conviver harmoniosamnete com a putaria e a serenidade (isso para não dizer que o mundo atual é uma putaria completa, um perfeito universo rodriguiano). Mas o texto de Nelson Rodrigues, é claro, sempre tem sua importância, pois questiona até que ponto o código de valores morais é saudável e depois de que ponto se torna algo doentio. E não sejamos hipócritas: ainda somos bem moralistas.

sábado, 7 de julho de 2007

O Início

Depois de algumas faltas de iniciativa, finalmente crio o meu blog. Nunca faltou vontade, necessidade, conselhos e sugestões, na verdade. Mas a inércia que ronda a minha vida até então me bloqueou os dedos e me impediu de criá-lo antes. Assim como A Bolha (aquele clássico do cinema de terror trash que marcou minha memória infantil), a inércia vem toda nojenta, rastejando melequenta, devagarzinho, subindo as escadas, invadindo sala, corredor, quarto e me pega desprevenido, debaixo do cobertor, no décimo sono das 13h. E foi assim, grudando meus dedos e meus neurônios uns aos outros.

Deixando a mea-culpa de lado, só eu mesmo consigo fugir dela, correndo com as minhas próprias pernas e escrevendo com meus próprios dedos. Devo agradecer, é claro, ao ponta-pé inicial: a oficina de blogs de Makely Ka, o primeiro projeto prático do Coletivo PDM (Projeto de Dominação do Mundo). O objetivo do coletivo é articular e fomentar ações conjuntas da cena da música independente de Minas. Quem quiser saber mais, acessa os blogs dos meus colegas de coletivo na lista de links "Coletivo PDM".

Vou terminando aqui meu início, porque na faculdade de jornalismo aprendi que textos para web devem ser curtos (blahhh!).