quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

blogagem coletiva: carnaval!


Depois das férias, Pixelando está de volta de cara nova e com novidades. Além do cabeçalho novo, hoje é dia de estréia da coluna "blogagem coletiva", onde eu e vários outros falarão sobre um mesmo tema no mesmo dia. E o tema de hoje, uma quarta feira triste e chuvosa, é o carnaval.

Para mim, o carnaval nunca significou muito além de um feriado enorme encrustado no começo do ano. É claro que o significado original da festa é bem maior que isso, remete ao Egito antigo e à Roma antiga e foi incorporado mais tarde, talvez na Idade Média, pelo calendário cristão (apesar de uma certa resitência da Igreja Católica) como a última festa antes do período da quaresma. Por isso o carnaval seria um último momento de alegria e prazeres da carne antes das continências que o seguem. Não sei se por esse motivo, a festa se transformou em um momento de delírio e catarse passageiros, uma das poucas oportunidades para o homem comum se libertar parcialmente de muitas regras sociais, relações hierárquicas e tabus que o envolvem.

No Brasil é muito fácil perceber como as festas de carnaval realmente servem como válvulas de escape sociais. O país, atolado em um dos maiores índices de desigualde social do planeta, literalmente para durante o feriado para ver o carnaval passar. As cidades do interior de Minas, por exemplo, se embriagam em alegria gratuita e humor ingênuo. E outras cidades famosas, como o Rio, produzem grandes espetáculos. São manifestações muito bonitas, sem dúvida. Mas, da mesma forma que o carnaval começa, ele também passa. Quem havia se esquecido de que é fodido e mal pago, de repente está de volta à realidade. Alguns dizem que é só nesse momento, depois da quarta feira de cinzas, que o ano começa no Brasil.

Belo Horizonte, a cidade em que vivo, no entanto, não tem tradição carnavalesca. Talvez por isso eu não tenha grandes laços afetivos com o carnaval. O que se vê por aqui no feriado é o êxodo em massa da população, pobre ou rica, para onde quer que seja. Este ano com certeza não será diferente. Aliás, o êxodo já começou. As pessoas já estão de malas prontas para viajar e eu serei um dos poucos que resistirei bravamente ao triste carnaval belorizontino (e o motivo é muito mais a falta de grana do que vontade própria, é claro). Por aqui terei que me virar para preencher o tempo. Uma das poucas opções que tive nos anos passados, o Carnaval Revolução, foi importado para São Paulo. O jeito será escutar muita música, ler um livro e curtir as tranquilas ruas da cidade, que no carnaval ganham um charme que eu gostaria que tivessem o ano inteiro.

(este post, como já disse, faz parte da "blogagem coletiva" combinada com outros blogueiros de BH, com o tema carnaval. Além de mim, o tutumineiro, adorei o bloguete, ora boa, autófago e meio desligado já publicaram seus textos, confere lá!)