quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

stickers no jornal hoje em dia

Com um mês de atraso, descobri essa matéria sobre os stickers de Belo Horizonte que saiu no jornal Hoje em Dia do dia 17 de novembro:

Os stickers ganham as ruas


Mateus Parreiras
REPÓRTER

Os jovens chegam, aos poucos, ao Cine Belas Artes, ao lado da Praça da Liberdade, em Lourdes. Usam tênis simples, calças largas, bonés, cabelos compridos ou tranças "dreadlocks", estilo jamaicano. De dentro das suas mochilas, sacam cartazes com desenhos, pinturas, figuras, adesivos, formas e mensagens em spray. Enquanto conversam e bebem, um deles mistura num recipiente plástico água, amido de milho e soda cáustica. O "grude" é para uma atividade que ganha cada vez mais adeptos entre os jovens. Eles percorrem as ruas na calada da noite para pregar nos muros, paredes, postes e mobiliários urbanos os cartazes "stickers".

Peças de uma arte urbana com mensagens sociais, políticas, poéticas e irônicas, confeccionadas pelos próprios jovens, os stickers ocupam um espaço antes dominado pelos pichadores. Porém, segundo os adeptos, que preferem a denominação "coletivos urbanos", eles não formam gangues nem se desafiam a deixar sua marca em locais perigosos e ousados, como alto de edifícios e guarda-mãos de viadutos.

"A idéia do sticker é justamente fazer um diálogo da rua com a rua pela arte e pela mensagem. Nossa única regra é não colar o poster sobre o de outra pessoa", conta um deles, pseudônimo Culundria, 30 anos.

Na noite de segunda-feira, o HOJE EM DIA acompanhou alguns coletivos urbanos que atuam na capital mineira. A arte dos posters e adesivos, apesar de apreciada por muitos e cada vez mais popular entre jovens e adolescentes da cidade, é proibida, considerada pelo Código de Posturas da prefeitura como publicidade ilegal.

Pela interpretação da lei municipal 8.616, propaganda é qualquer forma de difusão de idéias. A instalação ou manutenção de engenho de divulgação de publicidade em desacordo é sujeita a notificação, sob pena de aplicação de multa.

Por isso, a ação dos jovens costuma ser furtiva. O grupo acompanhado pela reportagem vem de vários bairros da capital, de Contagem, Ibirité, Santa Luzia e outras cidades da Região Metropolitana. O destino é a área central da cidade, onde há maior movimento, o "coração" das cidades. "Nossos trabalhos são manifestações para colaborar com o caos urbano mesmo. Nós nos integramos a ele", define Estandelau, 25 anos.

A primeira intervenção da noite foi no muro de blocos de concreto de um estacionamento da Avenida Bias Fortes. O grupo é rápido. A cola é postada de frente para o muro. Eles retiraram os seus desenhos de cores fortes ou frases em preto e branco de dentro das mochilas e começam a molhar os rolinhos de pintar com o grude. Lambuzam os muros e os papéis e começam o trabalho de colagem. Em pouco tempo, fazem seqüências de desenhos, uns sobre os outros, numa composição imediata e espontânea. Quem cola primeiro vigia depois e vice-versa. Mas a preocupação com a fiscalização não é muito grande.

"Não conheço ninguém que rodou (foi pêgo) por causa de sticker. Uma vez, um guarda me parou e perguntou o que estava fazendo. Disse que estava arrancando o cartaz e ficou por isso mesmo", conta Desali, 25 anos.

Desali e Estandelau estavam entre os grafiteiros que tiveram partes consideradas obscenas dos seus desenhos censuradas pela comunidade do Bairro Cruzeiro, na Região Centro-Sul (nota do blog: a censura levantou um debate). Tarjas foram aplicadas sobre certas partes do corpo. "É uma hipocrisia ver essa censura sobre a arte de rua. Mas nós gostamos de ter provocado essa reação. Culundria Armada teve um sticker censurado depois de fotografado e exposto na capa de uma revista. "Fizeram a foto de uma modelo na frente de um ursinho que produzi com a mensagem: 'masturbe seu urso'. Apagaram a frase, mas se apropriaram do meu ursinho", protesta.

Nas ruas, o trabalho deles é pouco notado e mais tolerado do que as pichações tradicionais. Quando indagadas sobre um sticker todo colorido numa caixa de cabeamento da Rua Ceará, as amigas Eliete Primo e Pulsina Maria Silva, ambas de 56 anos, elogiam a intervenção.

11 comentários:

Unknown disse...

lois, to querendo ver mais, saber mais, conhecer mais sobre stickers, stencil e cia. acho uma ótima possibilidade de estudo da cultura urbana, algo que me interessa muito. sua ajuda é vital no processo. bjs, cris

Anônimo disse...

desde que não sejam pregados na frente de sinais de trânsito...

Anônimo disse...

ops...placas!

Luiz Antônio Navarro disse...

Cris, para o que precisar, pode contar comigo!

Bruna, depois dá uma olhada nos posts mais antigos deste blog aqui: http://www.permitidopermitir.blogspot.com/

paula r. disse...

o 'masturbe seu urso' foi uma das primeiras intervenções que me chamaram a atenção. agora, pelo menos pra mim, faz parte de bh.

p.s.: você prefere o bentinho?

/3árbara /2odrigues disse...

eu acho os adesivos bem mais divertidos que pichação. Dá pra entender a mensagem (pelo menos eu acho que entendo =D )

paula r. disse...

o bentinho é um louco neurótico e cego de ciúme. estou com a capitu e não abro.

tecalobato disse...

Loise...
dúvido que você quer competir !!!
O pior foi a atenção, coloquei o rascunho, o primeiro texto, todo errado...hhahaaha...
Que bom que mesmo assim você gostou!!!!

Unknown disse...

pois é...dei uma bizoiada.

Acho legal a idéia, mas a utilização dela é páia. É muita controvérsia nesse meu Brasil.

Eles citam os impostos, né, sociedade desigual, todo mundo "muuuito" triste com isso tudo.

Mas aí cada um de nós tem que pagar pela subversãozinha dos caras. Pq eles não fazem uma caixinha de estragos entre eles e doam para a prefeitura limpar as brincadeiras deles?

Pô, mas a gente já paga taaanto cara, temos que nos revoltar com isso!

"ABAIXA A DITADURA" NELES!!!

preguiça.

Luiz Antônio Navarro disse...

Bruna, eu entendo o seu ponto de vista!

As placas com lambes colados são substituídas, ou precisam de manutenção. As notas com mensagens carimbadas também são substituídas... E tudo isso tem um custo.

Mas vc tem que levar em consideração que estas ações são simbólicas! Eu acredito que as mensagens que são transmitidas e as discussões que são levantadas pela figura de um macaco-prego numa placa de trânsito são muito mais valiosas que o custo monetário.

Pense nisso!

(as intervenções em placas de trânsito feitas pelo coletivo Quijote, do blog permitidopermitir.blogspot.com, foram temporárias. Eles as fizeram durante um tempo, e depois que houve repercussão, pararam.)

.ludmila ribeiro. disse...

queremos mais notícias !

afinal de contas, continuo apreciando os stickers do lado de cá e quero notícias do lado daí também uai!

manda novas pixeladas aí langa!

sos