sexta-feira, 10 de agosto de 2007

a primeira vez que ouvi...

Antes de conhecer Fresh Fruits For Rotten Vegetables eu acreditava na idéia de que não existe nenhum disco em que você goste de todas as músicas. Mito que caiu por terra. Esse é um disco que vai além da música e passa por um caminho muito delicado que é o de misturar política no meio. Quer dizer, delicado para outros, não para os Dead Kennedys. Das coisas todas que sobraram do meu mundo adolescente, com certeza se inclui o sarcasmo anárquico do DK. O som macabro da banda e a ironia extremamente inteligentes das letras do Jello Biafra fizeram muito sentido para mim. (Holiday in Cambodja / Viva Las Vegas / Kill The Poor / Let’s Lynch the Landlord etc.)


Da Lama ao Caos - Guitarra elétrica com tambor, Zumbi com Lampião. Na verdade eu aprendi a gostar do som do Nação Zumbi indo aos seus shows e sentido a energia que eles conseguem passar através da música. A sensação é de ser parte de uma única massa humana, como se você e todas as pessoas ao seu redor fossem uma coisa só, apenas uma multidão no meio de muitos. E é isso mesmo que somos na maior parte do tempo, sem perceber: somos muitos no meio de uma coisa só. (Monólogo ao Pé do Ouvido / A Praieira / A Cidade / Côco Dub etc.)



The Velvet Underground and Nico - Isso aí é música para escutar e arrepiar os cabelinhos do braço. Eu não sei qual é a experiência de outras pessoas com esse disco, mas eu aprendi a escutá-lo sozinho, em casa, me acompanhando pela madrugada (ou no máximo durante um domingo de manhã). Acho que essa é a situação mais adequada. É um disco especial, difícil e profundo. Eu prefiro guardá-lo para momentos únicos, preenchendo vazios. (Sunday Morning / I’m Waiting for the Man / All Tomorrow Parties / The Black Angels Death Song etc.)



Eis o Ôme - Quando conheci esse camarada ainda nem entendia direito qual era sua onda. Eu achava meio engraçadinho aquele samba diferente, mas ia só até aí. Algum tempo depois eu fui escutar de novo e me chamaram muita atenção as músicas que ele fez para a umbanda. Eu que nem sabia a diferença entre umbanda e macumba, achei aquilo tudo muito maluco. Noriel Vilela tinha uma voz muito forte e sua música, com forte influência africana, carregada de devoção, é única. Aos poucos fui aprendendo a achar muita graça daquilo e tudo e, principalmente, a respeitá-lo. (Saravando Xangô / Saudosa Bahia / Cacundê, Cacundá / Je Suis la Marie etc.)

(esse post é uma cópia descarada da idéia da minha amiga Cris Brandão, que escreveu em seu blog como foi a primeira experiência com os seus discos favoritos.)

7 comentários:

canhoto disse...

putz, velho, fiquei um tempão sem ver seu blog. hoje que vc me falou que já ia colocar o texto que eu lembrei de ver.

do caralho essas resenhas em forma de drops, atirando pra todo lado.

depois eu dou uma plagiada também, il?

Unknown disse...

Luiz, que cópia descarada o quê?! Isso é transcriação da melhor qualidade! Haroldo de Campos ia adorar. Eu adorei!

marcelo disse...

Cara, quando vi seu nome e li a descrição, pensei "conheço de algum lugar". Quando vi o nome do João a ficha caiu: eu estava com vcs um dia de noite, colando stickers pela rua da bahia, lembra? Eu e um moçambicano, fazendo uma matéria para o curso de jornalismo da PUC.

Acabou que depois eu fiz alguns stickers, como os "eu gosto de copiar o velho e fingir que sou original" (que tem na Obra e tal), o "pergunte ao pó" do Aécio e uns outros, mas tô meio parado ultimamente, sem tempo.

Achei massa o blog, é só eu ficar fora durante algumas semanas e quando volto já tem toda essa movimentação PDM e tal, ainda nem sei direito como funciona mas to achando uma puta iniciativa.

como vi que vc é chegado no som, talvez você goste do Meio Desligado, blog especializado em música alternativa brasileira que criei há algum tempo. Dá uma olhada, se tiver tempo.

É isso, até!

Rafael Dantas. disse...

eu tive uma experiência parecida com tommy do who..tanbém me chocou bastante na primewira audição a até hj é um dos meus favoritos

abração!

rafael/dialogo

Aline Calixto disse...

Luiz, gostaria muito de conhecer o trabalho do Noriel Vilela. Já comentaram comigo, mas ninguém tinha o cd pra me aplicar. E aliás, nem sabia que ele tinha ligação com a Umbanda. Se puder me passar mais informações a respeito do trabalho dele ficarei muito grata.
Inté!

Aline Calixto disse...

Nossa, quero sim! Se puder fazer essa gravação ficarei agradecida!
De qualquer forma, te aguardo no Stereoteca, certo!

Refúgio disse...

Salve Luiz! Jello Biafra e Chico Science são dois dos performers mais pancada que eu já vi, e em estúdio eles ainda conseguiram transpor parte da energia do palco. O Velvet também é clássico, só não fecho com você porque ainda não ouvi o Noriel Vilela. Já tá sendo devidamente baixado no e-mule!