terça-feira, 10 de julho de 2007

"Toda Nudez" será criticada

Depois de uma intoxicação alimentar que me levou à lona, volto neste post para falar um pouco sobre a peça "Toda Nudez Será Castigada", da paranaense naturalizada carioca Armazém Cia. de Teatro, com texto de Nelson Rodrigues, que esteve em cartaz nesse último fim de semana (dias 7 e 8) em BH. Em breve, falarei um pouco também sobre o documentário Estamira, de Marcos Prado. O que a peça e o filme têm em comum é o tapa na cara dos valores morais da sociedade.

"Toda Nudez Será Castigada" conta a história do amor pouco convencional entre Herculano - um recém-viúvo que durante toda a vida reprimiu a própria sexualidade - e Geni, uma prostituta que só consegue amar aqueles por quem sente pena. Os dois se conhecem quando Herculano, num porre para afogar a dor da morte de sua mulher, vai até o puteiro e por lá passa três dias e três noites. Até aí não haveria nada de mal no amor entre os dois persongens, se não fosse o conflito extremo entre o mundo da prostituta e a caretice doentia da família de Herculano.

O diretor Paulo Morais acertou na escolha do cenário fixo, com portas enormes que se abrem ou giram e servem como um elemento orientador na narrativa do espetáculo. Na apresentação em BH, porém, o cara comeu mosca e perdeu alguns pontos ao deixar o volume da sonoplastia e da trilha sonora extremamente alto. O elenco tem alguns destaques, como Patrícia Selonk (Geni), Thales Coutinho (Herculano) e Simone Mazzer (tia gordinha?), que conseguem expressar bem o tom trágico da peça e ainda serem cômicos quando o roteiro exige. Mas há também destaques negativos, como Sérgio Medeiros (Serginho), que não vai muito além do texto decorado e ainda assim ocupa um papel importante.

O roteiro, sem dúvida, é muito bom. Para a época em que foi escrito, o ano de 1965, deve ter sido muito chocante, ridicularizando o tempo todo a tradição, a moral, os bons costumes, o puritanismo. Hoje em dia esses elementos já perderam naturalmente a sua força e as pessoas, ou pelo menos uma boa parte delas, consegue conviver harmoniosamnete com a putaria e a serenidade (isso para não dizer que o mundo atual é uma putaria completa, um perfeito universo rodriguiano). Mas o texto de Nelson Rodrigues, é claro, sempre tem sua importância, pois questiona até que ponto o código de valores morais é saudável e depois de que ponto se torna algo doentio. E não sejamos hipócritas: ainda somos bem moralistas.

3 comentários:

Unknown disse...

luiz, adorei o texto. Só um detalhe: a Cia. Armazém tem sede no Rio, na Fundição Progresso, mas foi criada em Curitiba, no Paraná. Não tem nada de Sampa neles.

Luiz Antônio Navarro disse...

Você tá certíssima Cris!

Bola fora minha (:S)
Mas o texto já tá corrigido, valeu pelo toque!

Anônimo disse...

Olá,
só uma correção:
O Armazém Companhia de Teatro surgiu em 1987 em LONDRINA, no Paraná.
Um abraço.
Simone
www.armazemciadeteatro.com.br