Com a cabeça a mil com a oficina de Intervenção Urbana que eu e o João estamos preparando para o NUC, não pude comparecer (uma pena...) ao show de Déa Trancoso no projeto Stereoteca, que acontece toda quarta, a partir das 20h, na Biblioteca Municipal de Belo Horizonte. Cheguei lá às 22h, com a apresentação prestes a acabar. Despretenciosamente, sentei-me em um dos bancos no hall de entrada da biblioteca para esperar o público sair do auditório e então encontrar com meus companheiros do coletivo PDM.
Mas para a minha surpresa completa, quando as portas se abriram, começaram a sair lá de dentro uma ala completa de homens, mulheres, idosos e crianças, todos negros e vestidos com roupas brancas, levantando suas bandeiras de santo, batendo nos seus tambores num "tum tum tum" ritmado um tanto mágico. Aquela cena me tocou muito (mais tarde fui saber que tratava-se do grupo de congado Terno de Catopês de Bocaiúva, do Vale do Jequitinhonha). Levantei e comecei a bater palmas no ritmo que os tambores ditavam. Atrás deles vinha o público que assistira o show de Déa: todo mundo com cara de satisfação típica de quem acabou de assistir a um grande espetáculo (façam esse exercício: observem o público de um filme ou de um show ao sair da sala do cinema ou do teatro). A festividade migrou para o lado de fora da biblioteca, onde o grupo parecia fazer questão de tocar.
Não sei se o ar livre tem algum significado especial para eles, mas foi engraçado porque ali ao lado da Biblioteca fica a sede do Comando da Polícia Militar, e dali eu pude ver os militares indo às janelas de seu prédio observar o que se passava na rua. Foi muito divertido ver a cara de espanto dos fardados. Aos poucos a festa foi se desfazendo e eu fui encontrando o coletivo PDM. Depois, lendo a divulgação do show, vi que o objetivo da Déa ao convidar os Catopês era revelar uma Minas Gerais com alma de Guimarães Rosa, com seus "ritmos de acalanto, folias, cantos de reza, cozinha, congado, terreiro e rua". E o grupo parace ser uma demonstração da cultura secular que permanece viva nas entranhas de Minas. E merece (muito!) ser mais valorizado.
PUXÃO DE ORELHA
É impressionante, por exemplo, como a grande maioria das pessoas que conheço que se julgam pessoas cultas, e que realmente são (os meus amigos de blog, por exemplo! não irei poupá-los), conhecem MUITO sobre a cultura gringa e não conhecem QUASE NADA sobre a cultura do próprio lugar onde nasceram. E gastam linhas e linhas de seus blogs para falar da cultura que vem de fora (que não necessariamente é pior, claro que não!). E nada de falar do show da banda da própria cidade. Ao mesmo tempo, imaginei se, além da minha própria surpresa naquele momento em que vi os Catopês, eu estivesse acompanhado da surpresa de algum dos vários gringos que já recepcionei por aqui. Tenho certeza que eles iriam ficar de queixo caído com a beleza da nossa cultura.
Mas para a minha surpresa completa, quando as portas se abriram, começaram a sair lá de dentro uma ala completa de homens, mulheres, idosos e crianças, todos negros e vestidos com roupas brancas, levantando suas bandeiras de santo, batendo nos seus tambores num "tum tum tum" ritmado um tanto mágico. Aquela cena me tocou muito (mais tarde fui saber que tratava-se do grupo de congado Terno de Catopês de Bocaiúva, do Vale do Jequitinhonha). Levantei e comecei a bater palmas no ritmo que os tambores ditavam. Atrás deles vinha o público que assistira o show de Déa: todo mundo com cara de satisfação típica de quem acabou de assistir a um grande espetáculo (façam esse exercício: observem o público de um filme ou de um show ao sair da sala do cinema ou do teatro). A festividade migrou para o lado de fora da biblioteca, onde o grupo parecia fazer questão de tocar.
Não sei se o ar livre tem algum significado especial para eles, mas foi engraçado porque ali ao lado da Biblioteca fica a sede do Comando da Polícia Militar, e dali eu pude ver os militares indo às janelas de seu prédio observar o que se passava na rua. Foi muito divertido ver a cara de espanto dos fardados. Aos poucos a festa foi se desfazendo e eu fui encontrando o coletivo PDM. Depois, lendo a divulgação do show, vi que o objetivo da Déa ao convidar os Catopês era revelar uma Minas Gerais com alma de Guimarães Rosa, com seus "ritmos de acalanto, folias, cantos de reza, cozinha, congado, terreiro e rua". E o grupo parace ser uma demonstração da cultura secular que permanece viva nas entranhas de Minas. E merece (muito!) ser mais valorizado.
PUXÃO DE ORELHA
É impressionante, por exemplo, como a grande maioria das pessoas que conheço que se julgam pessoas cultas, e que realmente são (os meus amigos de blog, por exemplo! não irei poupá-los), conhecem MUITO sobre a cultura gringa e não conhecem QUASE NADA sobre a cultura do próprio lugar onde nasceram. E gastam linhas e linhas de seus blogs para falar da cultura que vem de fora (que não necessariamente é pior, claro que não!). E nada de falar do show da banda da própria cidade. Ao mesmo tempo, imaginei se, além da minha própria surpresa naquele momento em que vi os Catopês, eu estivesse acompanhado da surpresa de algum dos vários gringos que já recepcionei por aqui. Tenho certeza que eles iriam ficar de queixo caído com a beleza da nossa cultura.
4 comentários:
A coisa gringa já deve vir mastigada né?
mastigada não, mas também não custa desviar o foco de vez em qdo.
É o nosso foco, Luiz: falar sobre e de um modo diferente daquilo que não é dito.
Bacana ver a visão de quem estava de fora do show da Déa Trancoso. É bem diferente ver a sua percepção.
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