sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

faixas de "anti-sinalização" nas ruas





Quem passar pelos arredores do bairro Santa Tereza, em BH, pode se deparar com uma destas faixas penduradas por lá. Foi o que aconteceu comigo, neste fim de semana, pela madrugada. Achei ótimo, mas não sabia o que é. Hoje, meu amigo João explicou: trata-se da primeira (e apenas a primeira) intervenção do grupo Poro pelas ruas da cidade como parte da programação do Verão Arte Contemporânea. Até o dia 18 devem vir mais surpresas por aí.

(fotos: Brígida Campbell)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

juliana perdigão estréia "acalanto dos bons tempos"

Hoje, 5 de fevereiro, é dia de comemorar, aconchegar, amimar, embalar e acalentar os bons tempos que estão por vir. Juliana Perdigão, instrumentista e cantora mineira, comemora seu aniverário com a grande estréia de seu show, "Acalanto dos Bons Tempos", na Fundação de Educação Artística, às 20h. A apresentação faz parte da programação do Verão Arte Contemporânea.

Conheci a Jú na época do Corja Ataca, projeto paralelo do grupo de choro Corta Jaca, quando ajudei na divulgação de três únicas e preciosíssimas apresentações, no começo de 2008. Produção meio improvisada, grana curta e muitas incertezas... Mas não tinha como dar errado: o repertório de gafieira do Corja, executado por músicos tão dedicados e apaixonados, só podia dar casa lotada em todos os shows.

Hoje, Juliana interpretará canções dos compositores belo-horizontinos Antônio Loureiro, Renato Negrão, Vítor Santana, Flávio Henrique, Thiakov e Avelar Jr, além de canções de Tom Zé, Nino Rota, Frank Zappa e outras surpresinhas. Ela cantará e tocará flauta, clarineta e saxofone acompanhada por Maurício Ribeiro (piano e teclado), Pablo Castro (guitarra e violão), Thiakov (baixo e eletrônicos) e Mateus Bahiense (bateria e percussão) e Fabio Adour (guitarra e direção musical). Antônio Loureiro fará uma participação especial, tocando vibrafone.

Além de participar do Corta Jaca, Juliana tem se apresentado como cantora na companhia dos músicos Rafael Macedo (piano), Analu (percussão) e Felipe José (violoncelo), com músicas mais intimistas e instrumentação camerística. Agora, acompanhada por banda no show “Acalanto dos Bons Tempos”, surgiu a vontade de tocar músicas menos introspectivas. Aliás, uma ótima maneira de comemorar seu aniversário!

Juliana Perdigão / Acalanto dos Bons Tempos

Quando: Quinta-feira, 5, às 20h.
Onde: Fundação de Educação Artística - Rua Gonçalves Dias, 320 – Funcionários
Ingressos: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia)
Informações: (31) 3227.7331 / (31) 3221.6200 / (31) 8809.9792

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

o som do lixo plagiado


Logo no dia do lançamento de seu primeiro disco, teatro lotado. Assim foi com a banda Graveola e o Lixo Polifônico, que na semana passada se apresentou no Teatro Francisco Nunes, em Belo Horizonte. Marcado por devaneios conceituais às vezes debochados, às vezes líricos, o som da banda é costurado por referências das mais diversas. E estas referências são misturadas, copiadas e coladas sem o menor pudor, num liquidificador musical bem ao estilo da "era do fim do compositor autoral".

Nesta entrevista, Marcelo Podestá e José Luís falam sobre este processo criativo da banda, em que até aquilo que pode ser considerado lixo é reaproveitado musicalmente. Eles contam como surgiu a banda (quase sem querer) e explicam por que, ainda estreiantes, já estão conseguindo esgotar os ingressos de seus shows.

Pixelando: Pessoal, como surgiu a banda, ou a ideia de formar uma banda?


José Luís: Bom, a ideia começou quando três coleguinhas de universidade resolveram se arriscar em rodinhas de violão despretensiosas, regadas a vinhos baratos, cachaças e afins, por volta de 2004...

Pixelando: Assim, quase sem querer então...

José Luís:
Quase e não quase... Marcelo era um amigo de infância que reencontrei nos corredores da Fafich (Faculdade de Ciências Humanas da UFMG). Já arriscamos compor desde pequenos. Daí, já na Fafich, ele me apresentou o Luiz.
Marcelo: No bosque da música.
José Luís: Isso... Lá deve ter sido nosso primeiro encontro musical, se eu não me engano, num aniversário do Marcelo. Desde então os encontros começaram a se tornar frequentes. Tocar era sempre uma desculpa para uma cervejinha, ou vice-versa, hehehe. Com o tempo as canções próprias emergiram...

Pixelando: Bem informal, né? Vocês também não são músicos por formação?

José Luís: Não... O Luiz era o mais musicalizado, podemos dizer. Eu e Marcelo vivíamos um oba-oba musical. Se não me engano, nossa primeira música foi Improvisazé. E coincidiu com a entrada da Flora, irmã do Luiz, na banda. Na verdade ainda não éramos banda, e passamos a ser com a entrada da garota.
Marcelo: Aí sim virou uma banda mesmo.
José Luís: Lembro-me de um encontro em Entre Rios de Minas, cidade onde a mãe do Luiz e da Flora morava. Fizemos nossa primeira apresentação lá... Na abertura do Centro Cultural Maria Helena Andrés.
Marcelo: Uma viagem! Logo depois do Arthur, do Uakti, se apresentar. Um monte de marinheiros de primeira...

Pixelando: E como foi essa primeira apresentação?

José Luís: Tocamos dois covers e uma nossa. Os covers eram Milagreiro, do Djavan, e Meia Lua Inteira, do Carlinhos Brown. Tudo acústico, no "amplification".
Marcelo: Pessoal escutando atento... A gente meio nervoso. Mas rolou e foi bem massa... Já deu um gás para continuar. Acho que depois disso ficamos mais cara-de-pau para apresentar.

Pixelando: E porque um nome tão maluco? Graveola e o Lixo Polifônico?

Marcelo: Graveola é a sonoridade. E também os sentidos que dá pra tirar... Grave... Ola... Parece vitrola. Alguma coisa de som. E o lixo polifônico era um lixo real que eu usava para acompanhar o Luiz no violão, e que fazia vários sons. Aí isso caiu como uma luva na própria estética e modus operandi da banda. O lixo... Matéria para compor, criar... Material com potencial de ser reutilizado. Daí vêm os sertanejos do início da banda... O axé... Os plágios...

Pixelando: Pois é, vocês têm várias referências diferentes. Quais são as principais?

José Luís: De Tom Zé a Arrigo Barnabé... Caetano Veloso, Sérgio Sampaio. Novos baianos. Só Pra Contrariar. Pitadas de Cauby Peixoto. Os lúdicos Mamonas Assassinas, Mutantes, Balão mágico.

Pixelando: Alguma coisa contemporânea?

Marcelo: A safra pós Bossa Nova... Do Amor... Jonas Sá, Rômulo Froés. Moreno Veloso.
José Luís: Sugamos um pouco de Lira Paulistana. Itamar Assumpção, Luiz Tatit, Rumo... Jards Macalé. E por aí vai...

Pixelando: E afinal de contas, o que é esse tal de "plágio estilístico"? Tem alguma coisa a ver com a cultura do copyleft?

Marcelo: Também. É quase uma metodologia. Já viu " a estética do plágio" do Tom Zé? É uma divagação dele no Jogos de Armar... Tem no site também. "Acabou a era do compositor autoral". Talvez tem a ver com a ideia de que nada se cria... Mas a ideia é procurar no que existe, no que nos bombardeia (na grande mídia), no lixo que sobra do que foi usado, sugado, descartado... Aquilo que tem potencial comunicativo, musical, emotivo... Ao deixar estas coisas entrarem, a nossa musica se compõem de fragmentos... Quase uma nova linguagem (para forçar a barra). Feita de pedaços de coisas que compõem nosso universo. O copyleft entra nessa quase que naturalmente...

Pixelando: Isso seria a "lixofonia"?

Marcelo: Acho que sim... A lixofonia é também a nossa verborragia. A carga de barulhos e ruídos que acompanham o som... Ou o próprio som. O som do lixo.

Pixelando: O Graveola é formado por cinco homens e uma menina. Mas parece que não é só isso, né? Tem mais gente por trás, ajudando na produção sonora e executiva. Tem também os vídeos que acompanham algumas músicas no show, a arte do CD que ficou bem bonito e etc. O Graveola é uma espécie de coletivo?

Marcelo: É uma espécie de família/coletivo. Aconteceu e acontece de pessoas muito bacanas se juntarem em favor dessa ideia. E ainda sem retribuição financeira, por enquanto!

Pixelando: É mesmo! Vocês gravaram o disco no esquema de lei de incentivo... Como foi esse processo?

Marcelo: Fizemos o projeto no final de 2007, se não me engano... Nos juntamos, concebemos e escrevemos. Era um projeto para gravação, criação de website, prensagem e show de lançamento.

Pixelando: Foi difícil aprovar, conseguir um patrocinador e captar recursos?

Marcelo:
Era do Fundo de Cultura (da Prefeitura de Belo Horizonte)... Não tem captação. Fomos aprovados e já rolou a grana.

Pixelando: No dia do lançamento do disco, o teatro estava lotado, coisa um tanto rara de se ver em Belo Horizonte. Os últimos shows antes, no projeto Música Independente, por exemplo, também esgotaram a bilheteria alguns dias antes. Porque será? Qual é o segredo do Graveola?

Marcelo: O Música Independente tava lotado também... Gente de fora e tudo mais.
José Luís: Primeiramente, conhecemos muita gente...
Marcelo: E internet, Myspace. Tinham mais de 500 plays no dia antes do show. Flickr. E o site agora... Tá dando bons acessos.
José Luís: O Marcelo tem razão. Muita coisa é feita via internet. Mas a atenção dos blogs é recente... E aí rolam esses meios de divulgação, e-mail também... que ajudam pra caralho.
Marcelo: Fizemos pouca divulgação física nesse show. Boca a boca e Internet. Ah, também contratamos um carro de som, fizemos uma vinheta para tocar na rua chamando para o show. Mas já tinha muita gente na espera que não tinha conseguido entrar no outro... Ficamos muito tempo sem fazer um só show.
José Luís: Esse também é um fator importante: não tocávamos com muita frequência. Os shows são sempre marcados por uma carga afetiva muito grande. Devido a essa "raridade". A pré produção de cada show é uma loucura. Às vezes ficávamos um mês sem ensaiar, encontrávamos duas semanas antes do show e fazíamos ensaios de quatro horas todos os dias. Esse último foi mais ou menos assim... E as coisas, me perdoe o clichê, são feitas com amor, heheheheh!

Pixelando: Isso é um grande diferencial!


José Luís:
Amor e ódio.

Para quem quiser baixar o disco novo e primeiro do Graveola e o Lixo Polifônico, é só acessar o site da banda.