quinta-feira, 18 de setembro de 2008

pichadores atacam a choque cultural


Ontem, conversando com o Mosh, um amigo grafiteiro, fiquei sabendo com muitos dias de atraso que a Choque Cultural, uma badalada galeria de arte de São Paulo, foi invadida por um grupo de 30 pichadores que, em apenas cinco minutos, sacaram seus sprays e picharam paredes e obras expostas. O ataque foi liderado pelo Rafael Augustaitiz, O "Pixobomb", aquele que em julho também atacou a faculdade que estudava no dia da apresentação de seu trabalho de conclusão de curso.

Para quem não sabe, a galeria Choque Cultural é a mais famosa galeria moderninha do Brasil: expõe e vende obras de artistas contemporâneos, muitas vezes ligados ao grafite, como Zezão, Speto e Os Gêmeos. Ela representa um novo momento das artes visuais, que é o reconhecimento institucional da arte de rua, antes considerada "underground". Mas tem gente que acha que esse reconhecimento tem outro nome: domesticação.

Quando escutei o Mosh me contando a história e me perguntando o que eu achava, eu senti, mais uma vez, que tem gente testando os limites da arte ao extremo. Na hora não consegui chegar a conclusão nenhuma, e ainda não cheguei. É muito difícil dizer se o Rafael e os outros pichadores queriam apenas atenção (ao estilo PR Stunt) ou se realmente queriam questionar, com embasamento. Surgiu até um boato de que a própria galeria encomendou o ataque para ganhar ainda mais visibilidade (o que não deve ser verdade, pois os proprietários entraram com representação na polícia contra os pichadores). A única coisa que sei é que polêmica que gera debate é sempre algo positivo.

Se você quiser ler mais sobre o ataque, veja a matéria do Estadão, a mais completa que encontrei.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

kréu krio leva arte de rua ao mercado novo!


No próximo sábado, 30 de agosto, a partir das 11h, será realizada a abertura da Kréu Krio, exposição autônoma temporária de arte urbana, no Mercado Novo, região central de Belo Horizonte. A intenção é aproveitar a atual efervescência artística da cidade e promover uma mostra paralela com trabalhos dos principais artistas e coletivos de arte de rua em atuação. A exposição será formada por dezenas de tapumes de madeira com intervenções dos artistas e ficará aberta ao público do dia 1 a 5 de setembro, com entrada gratuita. Durante a abertura haverá música, bar, projeção de vídeos, performances e outras intervenções.

A idéia não é subversiva, mas complementar. Neste período repleto de exposições de arte urbana pelos requintados espaços e galerias de arte, Kréu Krio é um evento que valoriza as linguagens das ruas e suas diversas variações, independente de suporte: seja grafite, lambe-lambes, sticker, instalações etc. Muitas destas linguagens ainda marginalizadas e distantes da compreensão do cidadão comum e até do público especializado em arte. Um espaço a mais para a criatividade se potencializar e tomar novas proporções, além daquelas ditadas pelo o que já é institucional.

Para ser produzido, o evento não conta com leis de incentivo ou patrocínio. O que o justifica é o desafio prazeroso de expressar e demonstrar o potencial artístico da cidade, de fundamental importância para o seu cotidiano e a sua população. Mas Kréu Krio não se tornará uma amostra, simplesmente. Pode ser entendido como uma repaginada dos movimentos independentes de Belo Horizonte, como Kaza Vazia, Vacas Magras, Rotatória, e porque não Zombie Walk?

A exposição busca o que está à margem e não é enxergado. A cidade está em constante movimento: é volátil. Às vezes, perecível e descartável. As vidas se transformam e renovam-se a cada esquina, em uma velocidade frenética. Será que as pessoas são sensíveis a isso? Como colocar o público em contato com a cidade de maneira mais íntima, poética e estética?

Kréu Krio está longe de se pautar numa arte urbana de nicho, necessariamente. Ainda assim, na busca por um vestígio essencialmente asfáltico e provocante. No suporte, preocupa-se em transpassar da cidade um ser imagético e sensitivo que remeta à sua realidade.

Kréu Krio – Exposição Autônoma Temporária
Abertura: 30/08, das 11h às 18h. Exposição: Dias 1 a 5, das 12h às 18h.
Local: Mercado Novo (Av. Olegário Maciel, 742, 3º andar)
Entrada Gratuita. Informações: (31) 9606.5771

domingo, 24 de agosto de 2008

o controle da internet é necessário?

Depois do post do dia 10 de julho, volto para falar sobre o projeto de lei que pretende criar regras e punições para o uso da internet no Brasil: o que pode ser encarado como louvável e necessário por uns e, por outros, uma forma de censura e de limitação das possibilidades da rede. É que encontrei uma entrevista muito esclarecedora sobre o assunto com o sociólogo-blogueiro Sérgio Amadeu, no Observatório da Imprensa. Sérgio comenta de forma precisa e sensata as questões controversas do projeto. Levando em consideração o contexto político e social brasileiro, ele aponta e pondera os supostos benefícios ou prejuízos que uma lei como essa pode trazer. Para quem é usuário da internet, vale muito a pena ler a entrevista e se interar sobre o projeto.

Leia aqui a entrevista do Sérgio Amadeu, que também tem este blog aqui.