sexta-feira, 7 de março de 2008

Educação flagrada em documentário



Não só de filmes como Tropa de Elite ou Cidade de Deus é feito o atual cinema brasileiro. Há também uma ótima safra de documentários, como "Pro Dia Nascer Feliz", do diretor João Jardim. O seu tema é a triste situação da educação no país e a juventude que está (ou deveria estar) estudando. Para abordar o assunto, o diretor utiliza uma sutileza incrível. Está longe de obviedades, como tentar apontar culpados pelos problemas do sistema de ensino, ou objetividades, como números e estatísticas. Pelo contrário, o filme encontra nas falas dos entrevistados (alunos, professores e diretores de escolas) um universo de variáveis, profundas e complexas.

Vale muito procurar "Pro Dia Nascer Feliz" na locadora. Se preferir, também pode baixa-lo aqui, em torrent.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Livro retrata arte de rua de BH

Amanhã, dia 1, é dia de lançamento do livro Na Rua: pós-grafite, moda e vestígios, de Cássia Macieira e Juliana Pontes. Essa é uma das raras publicações sobre a arte de rua de Belo Horizonte. O livro faz um panorama, principalmente através de fotografias, da estetica urbana e do cenário da arte de rua depois da saturação da linguagem do grafite, que predominou na virada do seculo como a grande expressão visual dos centros urbanos do mundo inteiro. O grafite nunca foi a única expressão urbana e nos últimos anos várias outras linguagens estamparam os muros ao redor do globo. Belo Horizonte não ficou fora da tendência e por aqui o sticker, uma espécie de adesivo ou lambe-lambe com imagens e mensagens diversas, teve grande destaque. Um grande exemplo é o Vigia, um adesivo feito pelo artista Xerel Alcantara (e que ilustra o flyer abaixo), que se transformou num ícone das ruas de BH. Numa alusão ao big brother do livro 1984, de George Orwell, o Vigia está discretamente observando os habitantes da cidade pelos cantos de placas e semáforos. Se você mora em Belo Horizonte, talvez já tenha visto um por aí.



Além do grafite e do sticker, o livro passa por varios tipos de texturas e estampas urbanas. As fotografias mostram uma visao bastante apurada de tudo aquilo que compoe o visual da cidade, como azulejos e posteres rasgados, até chegar a um paralelo entre a produção artística e a estetica das ruas com a moda. Uma muito bela coletanea de imagens que, na verdade, estao ao alcance de todos, bem ali na esquina. Para quem se interessou, o coquetel de lançamento começa as 11h e vai até as 14h, na Quixote Livraria e Café, que fica na Rua Fernandes Tourinho, 274, na Savassi. Por enquanto o livro só está sendo vendido lá e custa R$ 59.

Só uma pequena observação: o livro traz também algumas referências aos trabalhos do coletivo Culundria Armada, do qual eu até faço parte, mas que foram erroneamente grafados como de autoria de um tal de "João Perdigão" (alguns pontos a menos para as autoras, que não tiveram o cuidado de apurar direito as informações que estão publicando). E se você ainda não conseguiu entender ainda o que, afinal, é um sticker, dê uma olhada no vídeo (pixelado) abaixo:


quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

blogagem coletiva: carnaval!


Depois das férias, Pixelando está de volta de cara nova e com novidades. Além do cabeçalho novo, hoje é dia de estréia da coluna "blogagem coletiva", onde eu e vários outros falarão sobre um mesmo tema no mesmo dia. E o tema de hoje, uma quarta feira triste e chuvosa, é o carnaval.

Para mim, o carnaval nunca significou muito além de um feriado enorme encrustado no começo do ano. É claro que o significado original da festa é bem maior que isso, remete ao Egito antigo e à Roma antiga e foi incorporado mais tarde, talvez na Idade Média, pelo calendário cristão (apesar de uma certa resitência da Igreja Católica) como a última festa antes do período da quaresma. Por isso o carnaval seria um último momento de alegria e prazeres da carne antes das continências que o seguem. Não sei se por esse motivo, a festa se transformou em um momento de delírio e catarse passageiros, uma das poucas oportunidades para o homem comum se libertar parcialmente de muitas regras sociais, relações hierárquicas e tabus que o envolvem.

No Brasil é muito fácil perceber como as festas de carnaval realmente servem como válvulas de escape sociais. O país, atolado em um dos maiores índices de desigualde social do planeta, literalmente para durante o feriado para ver o carnaval passar. As cidades do interior de Minas, por exemplo, se embriagam em alegria gratuita e humor ingênuo. E outras cidades famosas, como o Rio, produzem grandes espetáculos. São manifestações muito bonitas, sem dúvida. Mas, da mesma forma que o carnaval começa, ele também passa. Quem havia se esquecido de que é fodido e mal pago, de repente está de volta à realidade. Alguns dizem que é só nesse momento, depois da quarta feira de cinzas, que o ano começa no Brasil.

Belo Horizonte, a cidade em que vivo, no entanto, não tem tradição carnavalesca. Talvez por isso eu não tenha grandes laços afetivos com o carnaval. O que se vê por aqui no feriado é o êxodo em massa da população, pobre ou rica, para onde quer que seja. Este ano com certeza não será diferente. Aliás, o êxodo já começou. As pessoas já estão de malas prontas para viajar e eu serei um dos poucos que resistirei bravamente ao triste carnaval belorizontino (e o motivo é muito mais a falta de grana do que vontade própria, é claro). Por aqui terei que me virar para preencher o tempo. Uma das poucas opções que tive nos anos passados, o Carnaval Revolução, foi importado para São Paulo. O jeito será escutar muita música, ler um livro e curtir as tranquilas ruas da cidade, que no carnaval ganham um charme que eu gostaria que tivessem o ano inteiro.

(este post, como já disse, faz parte da "blogagem coletiva" combinada com outros blogueiros de BH, com o tema carnaval. Além de mim, o tutumineiro, adorei o bloguete, ora boa, autófago e meio desligado já publicaram seus textos, confere lá!)